Por que todo xingamento envolve sexo?

Vejamos alguns exemplos simples: quando chamamos alguém de “pentelho” ou dizemos que alguém é um “escroto”, por que utilizamos estes termos e por que eles teriam uma função linguística pejorativa? Pelo simples motivo de estarem associados anatomicamente aos órgãos sexuais. Isso, por si só, já é suficiente para dar uma conotação pejorativa a uma palavra!

Em inglês, por exemplo, é comum se utilizar a expressão “he is such a dick”. Neste caso, a palavra dick, cuja tradução oficial seria pênis, ganha o significado de “idiota” ou “babaca”.

Ainda no português, vemos essa mesma lógica quando mandamos alguém “tomar no c…” ou “se fud…”, ou quando chamamos alguém de “filho da p…”, piranha, corno, veado, arrombado, boiola etc. Os exemplos são inúmeros e praticamente todos os palavrões que utilizamos estão em algum nível atrelados à sexualidade.

E por que será que é assim? Se todos nós somos originários de uma atividade sexual, por que essa função biológica que deveria ser honrada se converteu em algo tão depreciativo?

O que a linguagem revela sobre nós

Nossa origem sexual se evidencia no termo genital, que vem do latim genitale, aquilo que gera… neste caso, aquilo que gerou a vida de cada ser humano neste planeta! A palavra sêmen, por exemplo, tem a mesma origem da palavra semente e, curiosamente, na linguagem popular se converteu no termo “porra”!!

A linguagem reflete diretamente o universo psíquico das pessoas e por isso o fato ressaltado merece atenção. Esses termos refletem o inconsciente coletivo da nossa sociedade e demonstram a relação negativa que inconscientemente carregamos em relação ao sexo.

Sabemos que a criancinha não nasce com nenhum antagonismo ao seu corpo ou à sua sexualidade, tanto é que ela espontaneamente aprende a se masturbar e faz isso sem nenhum constrangimento, se divertindo muito com o prazer que o toque proporciona. Em que momento será que a situação muda e ela passa a enxergar o sexo como algo hostil e depreciativo? E que consequências isso pode trazer pras nossas vidas? Fica aí a reflexão…

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